padrãoUm dos autores e cientísticas políticos (cientista de verdade, profissional com conteúdo e propriedade sobre o assunto) que eu mais admiro é o Sr Marco Aurélio Nogueira. A obra “Em defesa da Política” deste autor é a obra que venho a  “conjurar” para explicar meus atuais “ataques” à política Brasileira.

A política mundial  foi minada pelo antigo jeito de se fazer política, pelos velhos trejeitos de se portar dos velhos políticos, ora vista, eternamente empossados do poder público. Hoje, chamar alguém de “político” pode ser considerado um bom xingamento.

Algumas pessoas buscariam explicação para esse repúdio à política na ignorância e falta de alcance intelectual da maioria, falta essa, motivada pela inexistência de sistemas educacionais estimulantes e eficazes. Mas a explicação mais óbvia é a mais eficiente neste caso, ao contrário do que se pode acusar, o povo hoje repudia a política não por ignorância, mas sim, por ter mais acesso à informação.

O ex-presidente Lula, em sua coluna no NY Times (mais um exemplo da teoria da tartaruga em cima do poste) comentou sobre as manifestações ocorridas no Brasil em meados de 2013, elucubrando sobre os motivos dessas manifestações estarem atrelados ao desenvolvimento adquirido pelo povo nos últimos anos, e ele tinha razão. Não tinha razão na sua intenção de destacar um povo desenvolvido (intenção obviamente eleitoreira), mas tinha razão em destacar que o povo desenvolveu-se. Ficou confuso? Eu explico; o povo não foi desenvolvido nos últimos anos, ele desenvolveu-se, sozinho, pelas próprias pernas, usando eficientemente os parcos recursos aspergidos em formas de migalhas pelas gestões públicas dessas últimas décadas.

 O desprezo pela política tende a generalizar-se no Brasil e no mundo. Ele vai se tornando uma espécie de grife, uma prova de atitude ”moderna”, avançada. Afirma-se não haver político que preste e o simples fato de uma pessoa envolver-se com política já aparece como indício de sua natureza interesseira. No entanto, como ficaria a sociedade no dia em que não houvesse mais políticos? Quem faria o que eles fazem? O seu fim não significaria o renascimento da autoridade em estado bruto? (Resenha sobre o livro “Em defesa da política” de Marcos Aurélio Nogueira)

Nesse mesmo contexto, Marco Aurélio, fala que crise é quando algo “velho” já não consegue se adaptar e dirigir o “novo”. É bem ressaltada a idéia de que as crises não significam a morte de alguma coisas, como no caso dos governos, nem leva necessariamente ao seu fim, mas propicia um momento de mudança, de construir algo novo.

A crise na política, é algo que enfraquece alguns sentimentos e instituições, que não beneficia diretamente alguns conservadores e oposicionistas, mas atinge as bases do Estado, suprimidas pelo mercado, ainda mais num mundo em que “ o homem é lobo do próprio homem.”

Em suma, há crises e crises, que afetam diretamente a política, que em muitos casos querem conspirar contra ela, pautadas em interesses figurados e esteriotipados num extremismo racial/social. Juntando-se a isso, pode se afirmar que a crise vem alimentar o ímpeto de abalar o sistema democrático de direito, causando um processo de desgaste neste.

Finalizando, a política hoje está deitada na cama que ela mesma preparou, ou melhor, na cama que os maus políticos prepararam. O política de hoje, precisa de gente de hoje, e cegar-se a esta realidade é o mesmo que negar à política o direito de mudar e de evoluir. E tem mais, quando se fala em gente de hoje, não se fala em gente jovem apenas, existem muitos políticos de avançada idade, que são “gente de hoje”, com “pensamentos de hoje”, nos cabe deixar de confiar na imagem, seja do velho ou do novo, precisamos aprender a conferir a idoneidade de nossos candidatos. Confiar é bom, mas conferir, é melhor.

Os maus conceitos que se tem sobre a política hoje, tão bem ilustrados em charges escrachadas , não serão mudados com o simples ato de ignorá-los. Estes maus conceitos precisam sem digeridos, transformados e através de exemplos, modificados.

Por Daniel Rodrigues

Fontes: NOGUEIRA, Marco Aurélio. Em defesa da política. São Paulo: Ed. Senac, 2001. 181p. (Série Livre Pensar) , Blog do Marco Nogueira. As ilustrações usadas neste post, têm assinatura e postagem original linkadas na própria imagem.

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