Desde as primeiras notícias sobre os tais “rolês” todos terminados em polêmicas, meus comentários acerca dos fatos entre meus amigos em conversas, girou em torno do bater na mesma tecla; não tem nada a ver com o direito de estar no shopping, tem a ver com “ter algo pra fazer” e a juventude brasileira simplesmente, não tem.

O problema é a dimensão política que se deu ao ocorrido. Como é de costume, no Brasil, para se resolver um problema, cria-se meia-duzia de outros problemas, e dezenas de cargos para resolve-lo. O rolezinho sempre existiu, só mudou de endereço, pois ficar rodando em parques e praças já cansou faz tempo, e o que fazer, é algo que está em falta. Ou alguém acredita mesmo que se existisse alguma opção de lazer interessantes e acessíveis esses centenas de jovens estariam dispostos a ficar rodando a esmo no entediante shopping? Então por que não admitimos de uma vez nosso débito com nossas crianças e propomos uma solução? A resposta – é por que ninguém tem coragem de assumir a paternidade desse problema, desses jovens sem futuro. É mais fácil colocar meia duzia de militontos de esquerda para ficarem uivando em nome da desigualdade racial do que realmente assumir que o Brasil da atualidade é o mesmo Brasil de décadas atrás, cheio de abismos sociais e culturais que distanciam as classes de acordo com o poder aquisitivo e cheio de políticos tacanhos, corruptos, desonestos e incompetentes no poder, mais preocupados em tapar o sol com uma peneira (ou seria o buraco com uma bolsa família?) e sorrateiramente depositar a culpa do problema em alguém  ( a burguesia sempre parece ótima para se culpar nesses casos ) do que buscar resolver o problema assumindo-o.

LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil, muito bem na página da Jusbrasil escreve sobre o assunto:

 Os jovens das classes inferiorizadas, hoje, têm a sensação de que as classes dominantes estão arrebatando o seu presente (consumista) assim como o seu futuro (Ferguson: 2013, p. 61). De que maneira? Basta passar os olhos nos “capitais” que definem as classes sociais. São eles (estes olhos capitais), dentre outros: o econômico (dinheiro, patrimônio, ações, ganhos de capital, juros), o cultural (conhecimento adquirido), o social (relações sociais, prestígio, respeito social, privilégios), o emocional (autocontrole, prudência, perspectiva de futuro, visão prospectiva etc.), o moral/ético (perfeita noção de que devemos respeitar as demais pessoas, a natureza, os animais e o bom uso das tecnologias) e o familiar (família bem articulada, que transmite muita informação útil para o processo de socialização das crianças e adolescentes) etc. (veja Jessé Souza,Os batalhadores).

Vendo diariamente os desmandos concentradores praticados pelo capitalismo atrasado vigente no Brasil assim como o descalabro do Estado estacionário brasileiro, com suas instituições políticas, econômicas, jurídicas e sociais degeneradas, as classes dominadas (C e D) estão cada vez mais conscientes das suas condições precárias no mercado de trabalho, nos estudos e nos relacionamentos sociais, o que compromete o seu presente consumista assim como o seu futuro.

VICTOR LISBOA, do blog Entenda os Homens,  escreve:

Já está claro que os participantes do rolezinho não estão ali motivados por nenhuma inspiração de esquerda. Ao contrário, basta visitar os perfis dos organizadores do rolezinho na internet para constatarmos que eles cultuam as marcas que estão a venda nos shoppings centers. Não são contrários ao capitalismo. Só consegue ver no rolezinho uma manifestação política quem escolhe uma retórica que vitimiza os seres humanos, que se arroga saber mais sobre o comportamento de indivíduos do que eles próprios sabem, como se fossem “coitadinhos” cujos atos precisam ser interpretados e tutelados pela esquerda.

DANIEL ALVES, deste blog que vos escreve e ainda tem muito a escrever diz o seguinte:

Eu avisei, não digam que eu não avise!

 

 

Texto por Daniel Alves

Fontes: Entendendo os Homens, Jusbrasil .

 

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