Adoro esse nosso país pela farta matéria disponível que ele nos fornece para fazer piadas. De ontem pra hoje, vemos em várias manchetes a cara de nossos déspotas do DEM, encabeçados pelo Deputado Caiado numa luta contra a escravidão dos Médicos Cubanos do programa Mais Médicos. Pra quem não lembra, Caiado é aquele deputado que ficou conhecido por ser primo de um ruralista que mantinha escravos em sua propriedade em Tocantins, coincidentemente, caiado votou contra a PEC 438/2001, que dispunha sobre o confisco de propriedades rurais onde fosse constatado a existência de trabalho análogo à escravidão. Pois bem, a PEC foi aprovada a despeito de quem votou contra e hoje o que vemos, é o escravocrata lutando contra a escravidão.

Esse é um dos casos que a incoerência serve apenas como motivador humorístico, por que no fim das contas, NESSE CASO, relativo à escravidão dos Médicos Cubanos do programa Mais Médicos, Caiado tem razão, ou seja, temos coerência vindo deste escravagista incoerente.

Caiado junto ao seu partido o DEM, abriga em regime de asilo político (confesso que nem sei se um partido tem propriedade para asilar alguém, mas enfim), a médica cubana, Ramona Matos Rodrigues, de 51 anos, que assinou contrato para atuar no Brasil no dia 27 de setembro do ano passado. Ela afirma ter sido informada em Cuba que receberia US$ 400 por mês no País (aproximadamente R$ 966) e que outros US$ 600 (R$ 1.450) seriam depositado em uma conta em seu país, valor que poderia sacar no fim do programa, além de R$ 750 em auxílio alimentação, estadia e transporte. Ramona afirma que não sabia que haveria pagamento diferenciado para outros médicos de outras nacionalidades do programa (não cubanos recebem integralmente uma bolsa de R$ 10.000,00 mais ajuda de custo), e sente-se agora, prejudicada por conta disso, com razão diga-se de passagem.

Para nós brasileiros uma proposta dessas soa ofensiva para um graduado em medicina, mas em Cuba, um médico ganha em média U$ 30,00 para atuar em terreno nacional, logo, é natural que alguém nessas condições se enamore pela possibilidade de seu salário multiplicado quase em 60 vezes mais. Porém, Ramona não conhecia o custo de vida do Brasil, e agora, percebe-se na real condição que se encontra, ou seja, escrava.

Só por empatia (com a cubana), vamos analisar a seguinte situação. Estamos dizendo que pagam para esses médicos que saem de seus países, parcos R$ 1.716,00 , e que depositam outros R$ 1.450,00 numa conta que eles não podem mexer até voltarem à Cuba. Ou seja, R$ 3.166,00 é o “salário” do médico Cubano e o restante (R$ 6.834,00), é a “parte” que cabe à Fidel Castro e seus asseclas. Estamos falando de uma situação onde aproximadamente 70% do salário de um profissional de suma importância, é confiscado, por um governo inescrupuloso e um outro governo (igualmente inescrupuloso) aceita tudo, como se isso fosse apenas política de boa vizinhança. E olha que o “mentor” desse nosso governo diz ter lutado pelos direitos do trabalhador a vida inteira, será que não se enquadra o trabalho médico na categoria “trabalho”? Afinal, medicina é coisa de burguês não é? Por isso médicos (até mesmo os Cubanos), careceriam de menos direitos trabalhistas?

Acho que o nosso atual governo pensa mais ou menos assim; “se o cara ganhava U$ 30,00 lá em Cuba e vai ganhar bem mais aqui ele já está no lucro, mesmo que para isso tenha que ser explorado inescrupulosamente pelo seu ditador, isso é só um detalhe”. Mas pelo menos para mim, isso soa incoerente, mais incoerente, do que o Caiado escravagista, lutando contra a escravidão dos médicos cubanos.

Texto por Daniel Alves.

Fontes: noticias.terra.com.br , trabalhoescravo.org.br , reporterbrasil.org.br/

 

 

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